Arquivo de 9 de Fevereiro de 2009

Ricky Joy

A discussão de maneiras sustentáveis de construção, vinculada a utilização de materiais vernáculos, diminuição de gastos energéticos e redução de emissão de poluentes têm sido uma das principais vertentes do cenário que envolve a mística do projeto arquitetônico. Muitas vezes este universo discursivo confunde e intitula estas vertentes sustentáveis a técnicas de baixa tecnologia ou alternativas.
Eis um exemplo de que a construção com elementos naturais, no caso a terra, como estrutura e beleza, pode ser sofisticada e atual. Rick Joy, arquiteto norte-americano graduado pela Universidade do Arizona, se especializou neste tipo de construção, onde a contemporaneidade funcional e um regate da proporção estética moderna pode ser enfatizada em estrutura de adobe e caixilhos contínuos de vidro.
Obviamente que a arquitetura apresentada por Joy se justifica ao analisarmos seu entorno. Paredes estruturais e externas em terra talvez só se sustentem tanto como idéia quanto como construção em climas e índices pluviométricos parecidos com o do deserto de Arizona e muito provavelmente esta discussão não se encaixe ao cenário brasileiro, mas eis uma referência.
Joy_01 - Equilíbrio dos materiaisJoy_03 - Cenário: desertoJoy_02 - Equilíbrio dos materiaisJoy_04 - Cenário: deserto

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Resenha do livro ‘Imaginar a Evidência’ de Alvaro Siza.

Por André Scarpa.

Gostava de comentar este livro, por que foi um livro que me surpreendeu. Não esperava, ao inicio da leitura, encontrar um discurso em prosa de Álvaro Siza tão claro e acessível, e ao mesmo tempo com idéias tão consolidadas, que como diz o próprio título, tornam se evidentes.
“Imaginar a Evidência” é um título perfeito, pois resume em si próprio toda metodologia projectual deste arquitecto, que neste livro exemplifica-a com as próprias obras e projectos. Ao longo de 3 museus, um restaurante, uma piscina, uma casa unifamiliar, um conjunto religioso, dois planos para cidades, e dois planos e projectos de habitação coletiva, Siza desenvolve o pensamento sobre a decisiva relação entre natureza e construção na arquitectura, a sabedoria instintiva que regulamenta o estudo das dimensões, das proporções e das relações dos espaços, e a importância de “aprender a ver” para o arquitecto, na criação de uma bagagem de conhecimentos que por fim se consolidam como conhecimento vago, instintivo, e que farão com que a solução de uma obra surja como óbvia e inevitável, ou em outras palavras: EVIDENTE.
O livro também trás um discurso interessante acerca do que consiste uma cidade, e de como o desenho dos espaços públicos é influênciado pelo estudo da cidade. Siza diz que não existe um monumento importante numa cidade sem a continuidade anônima de múltiplas construções, ou seja, deve haver um diálogo entre o tecido uniforme e contínuo das casas e os edifícios coletivos.
Muitas vezes o que hoje acontece é uma necessidade de se obter imediatamente uma imagem final do projecto, da intervenção, porém isso dificulta a interpenetração entre as várias partes da cidade. Temos de ter conciência de que “as cidades não nascem acabadas”, temos que ter conciência da importância do tempo.
Marcando conceitos como “arquitectura é geometrizar”, e que “nada que fazemos é absolutamnete novo” o arquitecto encerra seu discurso com o que foi para mim umas das frases mais bem colocadas do livro: “partir com a obcessão da originalidade é um processo inculto e primário”. Como é bom ler esse tipo de coisa hoje em dia.

André Araújo de Morais Scarpa está terminando a Faculdade de Arquitetura na FAUP - Porto, Portugal - onde desenvolve projetos.

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